sexta-feira, dezembro 31, 2004

2005

2004 não pode simplesmente acabar. Não assim. Feliz ano novo?! Duvido. Mas que seja...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

inveja boa

O cara do Jesus Me Chicoteia (link aí do lado) achou a prova irrefutável (adoro esse termo) da semelhança entre o Chico e o Marcelo Camelo. Escreveu um post muito bom, que eu confesso que eu gostaria de ter escrito. Aliás, eu gostaria de ter notado isso de primeira. É porque ele viu que Adeus Você, do Marcelo, pode ser como um lado de uma história, e Olhos nos Olhos o outro lado, escrito pelo Chico Buarque.

Adeus Você
Adeus você. Eu hoje vou pro lado de lá. Estou levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar. Vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar. Cuida do teu pra que ninguém te jogue no chão. Procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não te amar.
Quero ver você maior, meu bem. Pra que minha vida siga adiante. Adeus você. Não venha mais me negacear. Seu choro não me faz desistir, seu riso não me faz reclinar. Acalma essa tormenta e se agüenta que eu vou pro meu lugar.
É bom, às vezes, se perder sem ter porquê, sem ter razão. É um dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom. Quero não saber de cor, também. Pra que minha vida siga adiante.

Olhos nos Olhos
Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

sábado, dezembro 18, 2004

{Quem vai dizer tchau?}

"Tornar o amor real
é expulsá-lo de você
pra que ele possa ser de alguém."

(Nando Reis - Quem Vai Dizer Tchau?)

quarta-feira, dezembro 15, 2004

{Precipitação}

agora é issso que me emociona:
"As palavras da tua despedida foram o epitáfio de todos os meus sonhos.
O Amor, tal como a vida, é melhor no início e menos bom quando se aproxima do final.
Desconfio que os dias de chuva são um disfarce de compaixão para as lágrimas.
Nesses, aproveito para te ir amarrando às ruas com a corrente quem vem do céu."
(João - estranho amor)

sexta-feira, dezembro 10, 2004

hoje é dia do palhaço

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado.
Todo dia, ainda de pé, o zé dorme acordado.
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia.
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado de que o dia insiste em nascer.
Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo.

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada.
Toda bossa é nova e você não liga se é usada.
Todo carnaval tem seu fim.
É o fim.
- Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz!

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco?
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco.
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado.
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado e pinta o estandarte de azul.
E põe suas estrelas no azul.

- "Pra que mudar?"
- Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz!




quarta-feira, dezembro 08, 2004

tédio

Qual é a graça de um feriado nas férias?

domingo, dezembro 05, 2004

pra você, mara

"...Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar ..."

singing life away...

Em contradição a esse post, ultimamente eu tenho achado uma porção de músicas que andam me agradando... Esse é também o motivo pelo qual meus dois últimos posts foram letras de música (importante frizar que a última letra é a tradução, porque francês - por mais bonitinho que seja - ninguém merece).

Vai outra:
Seven a.m.
The garbage truck beeps as it backs up
And I start my day thinking about what I've thrown away
Could I push rewind?
The credits traverse signifying the end
But I missed the best part, could we please go back to start?
Forgive my indecision...
Eleven a.m.
By now you would think that I would be up
But my bed sheets shade the heat of choices I've made
And what did I find?
I never thought I could want someone so much
Cause now you're not here and I'm knee deep in my own fear
Forgive my indecision
I am only a man
Twelve p.m. and my dusty telephone rings
Heavy head up from my pillow
Who could it be?
I hope it's you
It's you

acho sem graça colocar música em inglês, porque as letras brasileiras têm muito mais conteúdo e se aproximam muito mais da realidade. mas tudo é tão vago, né? deixa eu usar então o duplo sentido da pobre língua inglesa. "Deixa eu brincar de ser feliz"!

quinta-feira, dezembro 02, 2004

ne me quitte pas

Não me deixes. É preciso esquecer, tudo se pode esquecer. Que já para trás ficou. Esquecer o o tempo dos mal entendidos e o tempo perdido a querer saber como esquecê-los, que de tantos porquês por vezes matavam a última felicidade.

Não me deixes... Te oferecerei gotas de chuva vindas de países onde nunca chove; escavarei a terra até depois da morte para cobrir seu corpo de ouro, de luzes. Criarei um país onde o amor será lei, o amor será rei e você a rainha.

Não me deixes - te inventarei palavras absurdas que você entenderá. Te falarei daqueles amantes que viram de novo seus corações ateados. Te contarei a história daquele rei que morreu por não ter podido te conhecer.

Não me deixes! Quantas vezes não se reacendeu o fogo daquele antigo vulcão que julgávamos velho? Até há quem fale de terras queimadas a produzir mais trigo, que a melhor primavera é quando a tarde cai. Vê como o vermelho e o negro se unem para que o céu se inflame?!

Não me deixes. Não vou falar mais. Escondo-me aqui, para ver-te sorrir e dançar, para ouvir-te cantar e rir. Deixa-me ser a sombra da tua sombra, a sombra da tua mão, a sombra do teu cão.

- Não me deixes!

sábado, novembro 27, 2004

O tempo passa? Não passa

O tempo passa? Não passa
No abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
Do amor, florindo em canção.
O tempo nos aproxima
Cada vez mais, nos reduz
A um só verso e uma rima
De mãos e olhos, na luz.
Não há tempo consumido
Nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
De amor e tempo de amar.
O meu tempo e teu, amada
Transcendem qualquer medida.
Além do amor não há nada,
Amar é o sumo da vida.
São mitos de calendário
Tanto o ontem como o agora,
E o teu aniversário
É um nascer toda hora.
E nosso amor, que brotou
Do tempo, não tem idade,
Pois só quem ama escutou
O apelo da eternidade.
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, novembro 21, 2004

90 miles outside Chicago
can't stop driving and I don't know why
so many questions
I need an answer
two years later you're still on my mind

whatever happened to Emilia Earhart?
who holds the stars up in the sky?
is true love just once in a lifetime?
did the capitain of the Titanic cry?

does anybody know the way to Atlantis?
or what the wind says when she cries?
I'm spending by the place where I met you
for the ninety-seventh time
tonight

someday we'll know if love can move a mountain
someday we'll know why the sky is blue
someday we'll know why I wasn't meant for you

someday we'll know why Samson loved Delilah
one day I'll go dancing on the moon
someday you'll know that I was the one for you

I bought a ticket to the end of the rainbow
I watched the stars crash in the sea
if I could ask God just one question
why aren't you here with me tonight?

sábado, novembro 20, 2004

{para dar amor...}

Ninguém se interessa por mais nada mesmo.
Ninguém presta atenção nas cores, nos olhos e nas flores...


segunda-feira, novembro 15, 2004

{Deixa o verão}

"Deixa eu decidir se é cedo ou tarde,
espere eu considerar,
ver se eu vou assim chique-à-vontade,
qual o tom do lugar
Enquanto eu penso você sugeriu
um bom motivo pra tudo atrasar
E ainda é cedo pra lá,
chegando às seis tá bom demais!
Deixa o verão pra mais tarde...
Não tô muito a fim de novidade
fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
que há da porta pra lá!
Enquanto eu fujo você inventou
qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais!
Deixa o verão pra mais tarde...
E eu digo cá entre nós
Deixa o verão pra mais tarde... "

quarta-feira, outubro 27, 2004

shhhh


Outro dia tava meio muito sensível, que chorava por qualquer coisa. Aí resolvi ouvir música, pra distrair, pensar em nada.
Só que as músicas reavivaram pensamentos que não voltavam há tempos... Daí eu parei pra pensar quais músicas que não seriam sentimentais o suficiente pra evitar o nó na garganta. Depois de procurar bastante, lembrei de uma banda que critica a sociedade, a injustiça social, etc. Seria uma boa opção, se eu já não tivesse vinculado a bendita banda a pensamentos que devolvem o nó à garganta.
Desliguei o som. Só que é foda, quando a gente fica em silêncio é quando dá pra ouvir melhor o que a gente tá pensando. E tá osso, eu só tenho pensado merda!
= ]

sábado, outubro 23, 2004

(sem inspiração pra título decente)

Eu sempre achei declarações de amor inúteis. Coisa que só funciona em filme hollywoodiano, onde era óbvio que ia dar certo porque o casal era o título do filme. Na real, ali, cara a cara, só servia para deixar a pessoa fazendo papel de boba apaixonada.
Ainda, o apaixonado se enche de esperanças, pois praticamente ninguém que escuta um "eu te amo" vence a vaidade e consegue ser realista o suficiente e dizer a verdade, de olhar no olho e responder um "não dá". Assim, seco, sem floreios ou eufemismos, é muito raro. Normalmente o amado dá uma razão para justificar o não; seja uma outra pessoa, um ex amor, uma cabeça confusa, a falta de tempo. E lá vai o apaixonado tentar achar uma solução que deixe o amado sem mais desculpas para rejeitar o amor. Aí é que aparece o "não dá" seco, ou até meio impaciente. Mas se a resposta é positiva (que provavelmente teve antes uma promulgação da decisão), eu não boto tanta fé. Não acredito em vencer pelo cansaço.
E tem outro ponto (mas esse é mais pessoal, saído da minha personalidade): eu vou é inflar o ego da pessoa a troco de uma ilusão. Tento então transformar o sentimento em amor-próprio - eufemismo de orgulho...
Uma vez se declararam para mim. Ali, na lata, "eu te notei dia tal, quando você fez isso isso e isso", e um monte de outras confissões (pretensão minha chamar de declarações). Mas não foi bom. Há quem diga que é sempre bom saber que tem alguém que gosta da gente, mas eu não consegui usar aquilo como alimento para o ego. Eu só consegui perceber a situação constrangedora que aquelas palavras criaram, e quão mal a pessoa poderia se sentir.
O fato do meu ego não ter sido inflado bateu de frente com o que eu pensava antes. E isso me fez reconsiderar a respeito da eficácia de uma declaração de amor. Talvez não seja de todo ruim... ou talvez os homens sejam narcisistas o suficiente pra se acharem por qualquer baranga que dá bola, que dirá uma declaração. Talvez eu esteja chata num nível entre o feminismo e o orgulho irracional.
Diagnosticando a minha situação específica, uma declaração de amor (há de se confirmar a espécie do sentimento) não acrescentaria muita informação. Só alertaria da intensidade, que às vezes nem eu acredito ser tanta. Sendo assim, só surtiria efeito considerável se sugerisse um futuro. Que nem eu sei se seria o melhor...
Um relacionamento que fosse fruto dessa declaração seria, no mínimo, estranho. Um tanto forçação de barra da minha parte (afinal, para todos os efeitos o que eu tenho que fazer é só esperar. Só. Quem vê até acha que eu disponho de tamanha serenidade), o que pode resultar num sentimento equivocado. Do tipo "venci pelo cansaço". Ou fui a opção mais palpável.
Taí mais uma consequência desagradável de se declarar: se tornar disponível. Admito com um tanto de vergonha que já cogitei meu antigo "apaixonado" como uma possibilidade de ficar feliz. Não por gostar, nem tentar gostar, mas por saber que a pessoa gosta e poderia me proporcionar momentos agradáveis. Então eu percebo que estou colocando outra pessoa na mesma condição que fui colocada. E é importante frizar que se alguém vira para você e diz que considerou a "possibilidade de tentar com você" isso não é uma notícia boa. Paradoxalmente, faz bem ao ego na hora, mas depois você percebe que saiu desfilando um "2ª opção" carimbado bem na sua testa.
Se declarações de amor são tão degradantes, por que é que as pessoas ainda o fazem? É claro que traz algum benefício, só falta descobrir qual. Paz consigo mesmo? Alívio por ter tentado? Eu só consigo enxergar o embaçado das falsas esperanças e até mesmo um quê de humilhação. Então eu rio, pensando como os amantes conseguem ser tão ridículos... e como eu temo estar entre eles.

sexta-feira, outubro 22, 2004

voa!


porque os românticos não têm medo de cair.

As Horas Nuas

"A gente vai perdendo. Perdendo uma coisa atrás da outra, primeiro, a inocência, tanto fervor. A confiança e a esperança. Os dentes e a paciência, cabelos e casas, dedos e anéis, gentes e pentes - todo um mundo de coisas sumindo no sorvedouro, tantas perdas."

::e eu que tinha que estar lendo "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

quinta-feira, outubro 21, 2004

De novo

"Sinto muita saudade, essa é a verdade. Não te vejo a metade do quanto eu quero lhe ver. Se eu te vejo a metade mais eu sinto saudade, essa é a verdade. Quanto eu quero lhe ver! Quando a gente se fala, quando eu perco a fala. Eu te ouço e não falo o que eu quero dizer: Estou te amando de novo! E o quarto lugar pro meu posto, já me deixou feliz. (...) É o medo, o peso, o pesadelo, o segredo e o sossego que o desejo por um beijo pôs pra fora. E o desejo durante tanto tempo, só desejo mais desejo, deseja que o desejo seja feito agora.
Dia 1ºde maio, não sei porque me distraio, passou alguém perfumado. Quase que eu posso lhe ver!"

quarta-feira, outubro 20, 2004

você pode ir na janela

A música mesmo não é tão boa, mas a letra é linda e o clipe é todo romântico...


Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim

Mas se vai
Você pode ir na janela

A se amorenar no Sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Vai sem duvidar
Mas se ainda faz sentido, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo
Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar

Você pode ir na janela
A se amorenar no Sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim

terça-feira, outubro 19, 2004

Confissão

"Meu mal é o mal do poeta,
é o mal do idiota.
Eu lhe vejo tijolo
e principio desde já
a fantasiar castelo."


Sammis Reachers

sábado, outubro 16, 2004

ê vidão

A viagem foi uma bagunça, graças a Deus. Tipo uma bagunça esperada, meio prevista, já mais ou menos sabendo o quê que ia acontecer e o quê que ia dar errado. Ainda bem que o que deu errado não pareceu tão errado assim, foram só alguns respingos de uma sorte mal manuseada que me serviram de água-viva que eu não achei no mar. E, na boa, eu tô cansada! Nossa, cansa ficar acordada uma semana inteira direto, os miolos cansam de processar tudo sem dormir. Não se desligaram da realidade por um minutinho... A não ser, claro, quando eu os espremia pra fazer caber outras coisas que bloqueassem a passagem dos impulsos elétricos de informação. E olha que eu nem conheço meu cérebro tanto assim...
Coitados dos miolos, cansaram tanto que não aguentaram. Tiveram que jogar a toalha no último dia. Soltaram gotinhas aguadas que gritavam "desisto" que me atrapalhavam a visão, obstruíam meu nariz e me deixavam inclusive meio fanha. Mas eles precisavam... tem hora que a Bahia é foda.
E tomei meu velho navio de volta pra casa, me sentindo um tanto vitoriosa (apesar do meu sangue meio perdido, indo por veias que eu não aconselharia passar), ostentando estrelinhas de mérito no peito. Não por ter ganho alguma coisa e sim por não me ter deixado morrer. Porque é assim mesmo, se a gente sonha é porque tá dormindo. E quem dorme um dia acorda...

::ps_um dia a gente descobre se o amor move mesmo montanhas.

terça-feira, outubro 05, 2004

flores



fica até piegas ficar repetindo. então a gente guarda as palavras pra quando elas forem necessárias. mil beijos e... felicidades!

sábado, outubro 02, 2004

{vai embora!}

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo...(além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Meu coração tem um sereno jeito

E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito

É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta

Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta

Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa..."

quarta-feira, setembro 15, 2004

mal posso disfarçar

sábado, setembro 11, 2004

{remoto controle}

Esse ano está passando tão depressa que eu não estou tendo tempo pra refletir sobre os acontecimentos da minha vida.
Tenho uma sutil sensação que as coisas estão escorregando por entre os meus dedos.

quinta-feira, setembro 02, 2004

flores


O problema das flores é que elas morrem...

sábado, agosto 28, 2004

Assim será


"...se você for eu vou correr!"

Tenho inveja da sensibilidade de certas pessoas!

terça-feira, agosto 24, 2004

Dias Nublados



Não mais tenho vontades.
Às vezes, estas me contestam e ao som de uma belíssima melodia, a única imagem que fica é a dos teus olhos. A inspiração nunca chega e aquele riso que antes era fácil de sair, agora fica preso na garganta.

domingo, agosto 15, 2004

WC Feminino





Pra quê servem os homens?

Pra serem fontes de sensações de ordens diversas e muitas vezes dicotômicas. Pra serem assunto de banheiro, telefone, pensamento, música. Blog. Pra ter uma generalização e uma desesperança irreversível: todos os homens são filhos da puta – inclusive o seu pai. Pensa: seu pai não é meu pai, e vice-versa. Então? Meu pai é homem pra você e o seu pai é homem pra mim. E, também, a quem é que eu tento enganar? O meu próprio pai é também um legítimo filho da puta enquanto homem.

Há quem diga que os homens só são filhos da puta porque as mulheres são um bando de traíras. Justo a mulher, a parte sensível e emocional da raça humana. “O mundo mudou, acabou essa história de que homem não chora e mulher é o sexo frágil”, concordo. Mas mudou a característica biológica da mulher de insistentemente se ater a detalhes mínimos e de dar valor a coisas banalizadas por homens?

E essas “coisas banalizadas pelos homens” não são só os clichês de flores no dia seguinte ou declarações de amor exageradas (embora não faça mal algum receber um telefonema, ou até mesmo uma mensagem de celular de vez em quando): são coisas que – sem saudosismos ou moralismo – não deveriam ter se tornado tão triviais. Um bom exemplo disso é o beijo. Pode vir cercado de tanto significado, tanta expectativa... mas, em uma grande parte das vezes, vem por puro e seco desejo. Desejo passageiro, tesão momentâneo, “oi, me dá um beijo”, a resposta já não usa de palavras, “como você chama mesmo”, “então, falou”.

Sem hipocrisia, não digo que todos os beijos que já dei na vida foram porque estava completamente apaixonada e nada na vida significava mais do que aquele momento. Sem radicalismos, claro que também já beijei assim, mas o que eu quero dizer é que, quando desfrutei do beijo em seu formato mínimo, em sua versão medíocre, quando fui uma mulher “traíra”, por assim dizer, não esperei que os homens não fossem filhos da puta.

Mas enquanto mulher mulher, mulher gente, mulher não-objeto, eu sim espero que possam me fazer calar as generalizações.

“Homens... quem precisa deles?”
Eu. E você também.

segunda-feira, agosto 02, 2004

O filme que se quer projetar nas nuvens

“Fiz ranger as folhas de jornal abrindo-lhes as pálpebras piscantes. E logo de cada fronteira distante subiu o cheiro de pólvora perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos nada de novo há no rugir das tempestades. Não estamos alegres é certo, mas por que razão haveríamos de estar tristes?

O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio. Cortando-as como uma quilha corta as ondas”.

domingo, agosto 01, 2004

Decadente mundo


Queria dar um prato fundo para toda fome que há no mundo!
Cada vez mais me assusta a degradação humana e as condições em que uma pessoa pode viver...

quinta-feira, julho 15, 2004

{ referência bibliográfica: chico buarque }

É nítida a semelhança na estrutura da música Formato Mínimo, do Skank, e Construção, do Chico. Não é difícil notar o uso das proparoxítonas no fim de cada verso...

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo

Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos gozaram rápido

Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida

O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela o súdito
Desenhou-se a história trágica

Ele enfim dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo a vítima

Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico

Para ele uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão a rúbrica

segunda-feira, julho 12, 2004

{a calma}

" Deixa o verão pra mais tarde!"


domingo, julho 11, 2004

{o que é o amor?}

- Tive a impressão de que aquelas flores não estavam lá por acaso.
- A vida rodopia e você nem aí, né?
- Eu sei que te incomoda, mas falar do amor não importa agora.
- Vamos buscar um caminho diferente, aspirar esperança!
- Pára com isso... Vem, me dá a mão! A gente pode voar, pode chorar, pode gargalhar!
- Aceite a condição: você é aquilo que você escolheu ser.
- Eu sei... Mas contradições à parte, eu ainda luto pra não esconder o coração.
- Dançaremos no ritmo da música, mesmo que os nossos pés se encontrem algumas vezes.
- É... Faz parte sentir um pouco do amargo e depois cuspir o doce.
- Então tá. Fica assim então. Eu te pego às seis pra gente ir no cinema, tá?
- Claro! Aproveita e leva aquele livro do Chico pra mim....
- Tá bom. Mas não esquece que se você for eu vou morrer!
- Não esqueço não. Hoje eu tentei chorar. Isso é normal?
- Calma! A vida vai seguir... Te sustenta que amanhã eu vou lá te ver.
- Tá, mas você já olhou pra lua hoje? Ela tá linda!
- Certamente não mais do que você!
- Te amo!
- Boa noite!
- Posso te dizer só mais uma coisa?
- Pode, desde de que não seja sobre a flor que você disse não estar ali por acaso. Estou com muito sono pra debater sobre futilidades...
- Não é sobre isso não!
- Então o que é?
- Me empresta o seu travesseiro?

{ contagem regressiva: onze }


Eu descobri um mundo teu e ele é manso
Sem perceber tive paz e só me dei conta
Quando eu te vi e perguntei
"Como é que vai você? Tudo bem?"

Falta entender o que me faz
Pensar que só ela pode ter
Tanta paz pra me dar
Ninguém mais tem tanta paz
Eu te vi e cheguei pra falar
"Certinho?"

Quando eu te vi eu perguntei
"Como é que vai você?"

{as coisas}


"As pedras são muio mais lentas do que os animais. As plantas exalam cheiro quando a chuva cai. As andorinhas quando chega o inverno voam até o verão. Os pombos gostam de milho e de migalhas de pão. As chuvas vêm da água que o sol evapora. Os homens quando vêm de longe trazem malas. Os peixes quando nadam juntos formam cardume. As larvas viram borboletas dentro de casulos. Os dedos dos pés evitam que se caia. Os sábios ficam caldos quando os outros falam. As máquinas de fazer nada não estão quabradas. Os rabos dos macacos servem como braçoes. Os rabos dos cachorros servem como risos. As vacas comem duas vezes a mesma comida. As páginas foram escritas para serem lidas. As árvores podem viver mais tempo que as pessoas. Os elefantes e golfinhos têm boa memória. Palavras podem ser usadas de muitas maneiras. Os fósforos só podem ser usados uma vez. Os vidros quando estão bem limpos quase não se vê. Chicletes são para mastigar mas não para engolir. Os dromedários têm uma corcova e os camelos duas. As meia-noites duram menos do que os meio-dias. As tartarugas nascem em ovos mas não são aves. As baleias vivem na água mas não são peixes. Os dentes quando a gente escova ficam brancos. Cabelos quando ficam velhos ficam brancos. As músicas dos índios fazem cair a chuva. O corpos dos mortos enterrados adubam a terra. Os carros fazem muitas curvas para subir a serra. Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Nem todas as respostas cabem num adulto."

arnaldo antunes

quinta-feira, julho 08, 2004

{ pára o mundo que eu quero descer }

:: sem comentários. aliás, um só: muito bom, amarante.



Chorão agride Marcelo Camelo

Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr, quebrou o nariz de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, em mais uma daquelas estúpidas brigas por declarações dadas à imprensa. Os dois estavam em um vôo da Tam, na sexta-feira, que os levaria para Teresina, onde participariam do Piauí Pop Festival. O motivo da agressão teria sido uma entrevista em que Camelo criticou Chorão por ter sido garoto-propaganda de uma conhecida marca de refrigerante.
Veja abaixo o boletim de esclarecimento que a assessoria do Los Hermanos postou em seu site oficial.
"Ontem na sala de desmbarque do aeroporto de Fortaleza, Alexandre (Chorão), vocalista da banda Charlie Brown Junior agrediu covardemente Marcelo de Sousa Camelo, vocalista da banda Los Hermanos. Ainda no avião Alexandre ofendeu e ameaçou os integrantes do Los Hermanos alegando que Marcelo havia falado mal dele numa entrevista concedida à revista Oi do mês passado. Durante as duas abordagens (antes da decolagem e depois da aterrisagem) Marcelo e Rodrigo tentavam tranquilizar Chorão que parecia cada vez mais agressivo e transtornado. Já no aeroporto Marcelo foi conversar com ele na tentativa de dissuadi-lo de cumprir as tais ameaças quando Alexandre o agrediu com uma cabeçada e um soco no rosto.
Alexandre foi então atingido no rosto por Rodrigo Amarante, também vocalista do LH, que tentava pará-lo e proteger Marcelo. Rodrigo pediu para que ele parasse e visse o que tinha feito em Marcelo que sangrava muito, mas foi perseguido por Alexandre até que esse desitisse. Marcelo e Alexandre foram levados à Policia Federal para esclarecimentos. Nenhuma queixa foi feita na ocasião em função dos compromissos a serem cumpridos em Teresina naquela noite, uma vez que o único vôo disponível do dia saíria em vinte minutos.
Repúdio parece ser a palavra que melhor descreve nosso sentimento diante dessa barbaridade. Agora cumprimos nossa agenda previamente marcada e as medidas cabíveis serão tomadas no seu devido tempo".
Assessoria de imprensa do Los Hermanos


Já a assessoria do Charlei Brown Jr, postou o seguinte esclarecimento:
"O Charlie Brown Jr. lamenta muito a discussão entre as duas bandas no aeroporto de Fortaleza, na sexta-feira. Infelizmente, os ânimos se exaltaram de ambas as partes, mas tudo foi resolvido da melhor maneira possível pois ninguém registrou queixa formal.
Mostrando que não houve maiores seqüelas, as duas bandas continuaram no mesmo vôo e participaram do festival Teresina Pop no mesmo dia como acertado anteriormente.
Charlie Brown Jr. lamenta pelos fãs das duas bandas que o desentendimento tenha chegado a público.
O Charlie Brown Jr. afirma seu respeito pelo Los Hermanos e garante que foi um incidente isolado.
Assessoria de imprensa do Charlie Brown Jr.

domingo, julho 04, 2004

{silêncio}



É uma arte, manter a boca calada.

sábado, julho 03, 2004

{onde fica esse lugar?}




"E tendo a lua,
Aquela gravidade
Aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
mas de você e eu."


Boa Noite!

sexta-feira, julho 02, 2004

{ pierrot }


Pierrot


o Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina
e é sua sina chorar a ilusão
em vão, em vão

a Colombina queria um amor
que não encontra num braço qualquer
essa menina não quer mais saber de mal-me-quer
só do Pierrot

o Pierrot apaixonado chora pelo amor da Colombina
e na esquina se mata a beber
pra esquecer, pra esquecer

e o Pierrot só queria amar
e dar um basta a essa dor já sem fim
mas Colombina trocou seu amor por Arlequim
e o Pierrot... chora

quarta-feira, junho 30, 2004

{ máscara negra }

Que muita gente me vê errado eu sei. Tô quase acostumada. Só não acostumei porque eu ainda não descobri o porquê de isso acontecer.
Tá, nunca liguei mesmo pra isso, quem quiser que me conheça, mas essa história tá ultrapassando. A mulher do Sebrae que era pra ser pedagoga resolveu virar psicóloga. Oh, e como eu amo psicólogos: um nego sentado na sua frente, te olhando como se você fosse um ser incrivelmente perdido e tenta te analisar e dar motivos pros seus problemas e conselhos que não vão dar certo, porque, convenhamos, ele só ouve um ponto de vista. E outra: a gente precisa é de soluções, não de motivos. Tá, que me desculpem os psicólogos e os que não concordam, mas até agora eu enxergo esse profissional (?) assim. Ela quer tentar me ajudar a resolver um problema que ela ainda não sabe qual é porque ainda não me conhece.



É foda, mas agora eu descobri que o negócio é fazer carinha de santa e deixar a personalidade do lado de fora, esperando a hora do intervalo.

domingo, junho 27, 2004

{esse amor estranho}



Empurro por fora a mesma porta que tentas manter fechada sem convicção por dentro.

{ que música dos los hermanos sou eu? }





Que música do los hermanos é você?
Trazido a você por Blog do Idiota







Que música do los hermanos é você?
Trazido a você por Blog do Idiota



--> como não confio em primeiros resultados de testes (apesar de "todo carnaval tem seu fim" ser a música mais linda de todas), eu fiz de novo e deu "descoberta". acho que pode ser um mesclado das duas...

segunda-feira, junho 21, 2004

{os 60 anos da realeza!!}



Uma pequena homenagem ao SR. Franscisco Buarque de Holanda...
"... Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei,
como encantado
Ao lado teu..."

"Quem me vê sempre parado, distante
Garante que eu não sei sambar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
E não posso falar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
(...)
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando
Que eu vou aturar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar "


Sejam Felizes!!

{ jesus me chicoteia }

Não, eu não tô plageando a frase da Zum, não (embora eu tenha que admitir que, de vez em quando, o faça). Eu tava era fuçando na internet e achei um site que tem esse exato nome. E, por sinal, é muito bom.
Engraçado, eu tenho notado que na grande esmagadora maioria das vezes os donos de bons blogs são admiradores de Chico Buarque e/ou Los Hermanos. Por favor, atentem para o gosto musical das donas deste.

ps: pra ir nesse site, é só clicar no título do post. vai que dá.

segunda-feira, junho 14, 2004

{ considerações sobre saudade }

A saudade que mais incomoda, entre todos e todos os vários tipos de saudade, é a saudade da vida. Pode ser entendida também como nostalgia, mas a nostalgia pura não envolve angústia. É ver a vida passando sem poder fazer nada para detê-la, é vê-la fugir do controle sem ir pelo caminho que julguei ser o melhor. Achar que nenhum momento vai ser tão mágico como aquele, que a sensação que tive um dia nunca mais vai ser do mesmo jeito; quem sabe na mesma intensidade, com o mesmo entusiasmo, mas nunca igual. E, se não é igual, nunca vai ser tão boa.

Ter medo de parar um dia, pensar se valeu a pena e chegar à triste conclusão de que não valeu; que a vida foi mal aproveitada e os bons momentos não foram devidamente valorizados... é ter vontade de gritar. Expressar o desespero com a força da voz, com a ilusão de que o grito vai reaver o momento bom que um dia foi real.

Invejar os que tiveram por ventura os bons momentos prolongados, ou até mesmo aqueles que não têm saudade desses bons momentos, que conseguiram vencer a miopia e ver além do que está estampado. Invejar os que conseguem fazer da saudade, esperança. Da angústia, esperança. E dos sonhos... esperança.

Invejo também os que confiam no destino. Os que conseguem tirar das próprias costas o fardo de sempre fazer acontecer. Os que têm a sorte de ganhar sua simpatia pelo simples fato de confiar nele, e ter assim sempre novos bons momentos para suprir a saudade. Embora eu me questione se esses bem-aventurados não sofram com a discrepância de qualidade entre uma e outra coisa...

Saudade nunca teria existido se nunca houvessem existido pessoas. E pessoas, levianas simplesmente por serem pessoas, associam saudade a amor. Confundem saudade e amor. Ela se torna, então, algo que não se diz, por medo de ser erroneamente confundida com o que de fato não se diz.

Momentos invariável e involuntariamente envolvem pessoas. E pessoas, por sua vez, marcam. Tato – nada marca mais profundamente do que o toque. Se não na pele propriamente dita, as pessoas marcam a memória, o pensamento, a parte de uma vida. Marcam com palavras, marcam com cheiros, gostos, sensações. Mas, muitas vezes, a memória se perde no vazio do cotidiano e acaba por falhar quando mais precisamos nos aconchegar nelas. Some o cheiro, frases já não são mais completas; só passam uma idéia. A precisão de cada palavra, a ordem de cada feito se perde. Então, nos vemos presos num ciclo cruel de que precisamos de novos bons momentos, mas que nunca serão tão especiais quanto os já vividos – ainda que bons.

Embora eu tenha certeza de que a arte é quem imita a vida, pois a fantasia não chega aos pés do real, fantasiar pode ser um modo eficiente de não perder a esperança – ou de se perder do chão. Quem sonha demais pode acabar tomado pela loucura e desilusão, mas, por outro lado, quem não sonha, não espera...

Pode estar implícito nessa saudade martirizante um quê de arrependimento, até mesmo de culpa. Por que não fiz o que queria (embora esse não seja muito o meu caso, peco pela inconseqüência...), não falei o que sentia (... e então peco pela covardia.), não implorei aos deuses ou às forças que movem o universo para que o tempo não corra, que o dia não amanheça.

Curar a saudade é como curar gripe. Há remédios para os sintomas, mas para o mal... só o corpo tem o necessário. Ou seja, viver esperando... com a cautela para não esperar por algo que está aí – ou que já passou. Concordando plenamente com Miguel Falabella: “saudade é basicamente não saber”.



--> é por isso que eu tenho medo de envelhecer... medo de viver de lembranças.




“Deixe-me contar-lhe um segredo, algo que não lhe ensinam no templo. Os Deuses nos invejam. Eles nos invejam porque somos mortais, porque qualquer momento pode ser o último. Tudo é mais bonito porque somos predestinados. Você nunca será mais bela do que é hoje. Nunca estaremos aqui de novo.”

Achilles - Tróia
--> Esse aí confiava no destino. Vai ver é por isso virou imortal...


Miguel Falabella (numa visão mais ampla da saudade):

“Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Skol, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ele continua cantando tão bem, se ela continua adorando o Mc Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.”

domingo, junho 13, 2004

{reticências}

"se canto, sou ave;
se choro, sou homem;
se planto, me basto;
valho mais que dois
quando a água corre;
a vida multiplica;
o que ninguém explica,
é o que vem depois..."

o melhor dia dos namorados sem namorado!!

Dez da manhã saia o ônibus da porta do colégio... cheguei lá umas nove...
Aos poucos o pessoal foi chegando e o ônibus também. Que ônibus, hein? Nossa! Quase golfei!
Meia hora, quarenta minutos e a gente já tava chegando. O sítio era enorme: piscina, quadras esportivas, um cavalo feio, totó, sinuca, comida boa e carrapato.
Todo mundo tava animado já que não é todo dia que você vai num aniversário de um amigo seu, num sítio, com tudo pago e comida boa!
Bom, pra começar todo mundo foi jogar tênis... que fracasso! Mas tava divertido de ver! o tédio começou a tomar conta e então resolvemos fazer um tour pelo local. Pra variar, tava todo mundo com fome e então começou a caça à comida. Achamos uma mesinha simpática com aperitivos e... oba!
Torradinhas com patê pra cá e refrigerante pra lá e eis que surge a mãe do aniversariante. Toda simpática e feliz ela me cumprimenta duas vezes (confusão devida à euforia!). Ela foi logo falando pra gente passar Escabin, porque nessa época tem muito carrapato e coisa e tal...(Depois fui descobrir que Escabin tem finalidades para sarnentos e piolhentos, gente com carrapato, não!)
As meninas se desesperaram num ataque de frescurite! Lá vai todo mundo pro banheiro passar o remedinho na perna! O negócio fedia mais que bosta! Eca! Eu não passei não, do jeito que eu sou, é capaz deu pegar uma alergia do remédio e não pegar carrapato!
Que divertido! Fomos jogar totó e num ataque de bobeira tava todo mundo rindo de qualquer coisa! De repente surge um garçom com caldo de mandioca e eu que na hora da fome não pensei duas vezes resolvi tomar um. Tava com uma cara tão boa... Engano meu! O caldo tinha carne e foi um Deus nos acuda pra separar a carninha da mandioca(vida de vegetariana não é facil).
Depois foi todo mundo pra piscina brincar de guerrinha de balão d'água. Que ilário! Todo mundo se ensopando, mas com a lua que fez ontem ninguém tava nem aí. Quando a brincadeira perdeu a graça, foi todo mundo deitar no chão pra secar já que ninguém levou toalha nem uma camisa extra...
O almoço tava servido: feijoada! Ê beleza! Acabei comendo arroz, farofa, couve e feijão(separado com muito custo do restante da feijoada). Tava uma delícia, menos o fundo musical que era composto por duas menininhas cantando Xuxa e Encosta a sua cabecinha no meu ombro e chora! Jesus me chicoteia na face! Ninguém agüenta isso! Por final tava todo mundo cantando e dançando Buiquini Amarelinho no Karaokê.
Depois o almoço, aquela lombeira básica e espectativa pela sobremesa: festival de sorvete e canjica! Me fartei!
O próximo evento foi assistir à pelada dos meninos e mais uma rodada de guerra de balão.
Por sorte, alguém iluminado ascendeu uma fogueira pra matar o frio da galera! Tava uma beleza! O pôr do sol e aquela fogueira gigante! Todo mundo ficando defumado e quentinho! Por fim alguém teve a idéia de dançar festa junina em volta da fogueira. Que peça os meninos dançando!!!
Depois da despedida foi todo mundo de volta pro ônibus. Foi uma cantoria e batuque só...
O dia tava lindo, todo mundo feliz! Foi muito bom!
Beijão e até mais!

P.s.1: Ah! tenho que agradecer o Dudu, a mãe dele e a todo mundo que foi e se divertiu!
P.s.2: Ninguém pegou carrapato!

segunda-feira, junho 07, 2004

"O céu de Ícaro tem mais poesias que o de Galileu"

Tenho certeza que muitas pessoas calculistas descordam dessa frase, embasada no sentimentalismo e na capacidade de sonhar...
Ultimamente tenho andado um pouco sentimentalista demais e escutando algumas músicas daquelas que você só ouve quando está em estado de nostalgia e chorando por tudo. Vivenciando essa fase e aproveitando as noites geladas, porém aconchegantes de BH, descobri uma música que é linda:


Guardanapos de Papel
(Leo Masliah)

Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas,
Trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores,
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas, mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glórias nem medalhas
Medalhas, medalhas, se contentam
Com migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem,
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas,
Canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados guardanapos feito
Moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas no espaço e o mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo
Pra depois voltar pro Rio de Janeiro

Até mais!



domingo, junho 06, 2004

< oco >


Sentada domingo na pia do lado de fora da cozinha de casa. Chupando mixirica doce e cuspindo os caroços pro alto - exceto por alguns que insistem em não sucumbir à força do meu sopro e caem na minha calça de pijama.
Pra quem me vê, pode parecer que eu tô em outro mundo, com os olhos fixos no muro de tinta descascando e sem mover um músculo sequer, que não seja os envolvidos na ação de chupar a mixirica que, agora, me olha com cara de piedade por só faltarem quatro gomos para que sua existência seja banida da Terra.
Não tô em outro mundo, não, por mais que a situação seja propícia para viajar. Nada passa na minha cabeça, meu cérebro só recebe as informações que a minha língua passa pra ele: "doce", "bom", "caldo", "duro", "gasp, azedo de caroço mordido". Ele também recebe a informação dos meus olhos seguindo uma formiguinha descendo o muro sem se importar com a gravidade.
A mixirica enfim é extinta, e agora eu preciso de outro meio de interação com a Terra pra que eu não entre em estado de alfa irreversível... Recorro às boas lembranças de Maio (um dos melhores meses da minha vida. Depois de Maio, eu posso dizer com convicção que sei exatamente o que é felicidade. Posso até ousar dizer que experimentei estar apaixonada), em busca de conforto. Busco em Maio preencher o vazio mental de agora. Admito que o vazio atingiu também a casa da emoção, mas essa parte não me incomoda. Inclusive porque eu diariamente me convenço de que a emoção é escrava e obediente à razão, mas essa é uma discussão a se ter quando minhas dissertações não forem mais sobre mixirica.

sábado, junho 05, 2004

{o quanto eu te falei que isso vai mudar}

"então tentar prever serviu pra eu me enganar"
será que vai ser sempre assim?
só tenho uma coisa a te dizer: "deixa ser como será!"
de acordo com as circunstâncias, não tem muito o que ser feito, amiga!

Eu gosto é do estrago

Malditos Estúpidos Unidos da América!!
Malditos Capitalistas!!!
Eu sei que nós somos tão norte-americanizados quanto eles mesmos... mas mesmo assim é revoltante a capacidade de serem tão imbecis!!



segunda-feira, maio 31, 2004

{ desilusão }


Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.


Luís de Camões


domingo, maio 30, 2004

o início

tentarei colocar aqui algum sentimento que me ocorre ao longo dessa vida...

intro

o primeiro post de pensamentos embasados em lógica. obrigada pela confiança.
"os poucos que viram você aqui me disseram que mal você não faz."